O mundo conheceu o assassino que se dizia justiceiro, chamado Jigsaw, um psicopata que matava com armadilhas criativas, com o propósito de fazer suas vítimas aprenderem o valor das próprias vidas.
Depois do impacto do primeiro filme, vieram seis continuações. E até a terceira tudo estava indo razoavelmente bem. Mas, como é inevitável numa franquia que se prolonga indefinidamente, a cada novo filme as armadilhas foram ficando mais sem graça, assim como as cenas de corpos mutilados se tornaram menos chocantes.
Agora chega aos cinemas brasileiros “Jogos Mortais – O Final”, apresentado pelo título nacional como o último filme da franquia – algo que já tinha sido prometido no quinto e depois no sexto filme. Entretanto, dificilmente a história acabará nesta produção. O sétimo “Jogos Mortais” é, na verdade, apenas o primeiro da franquia em 3D.
O filme começa exatamente onde acabou o sexto filme, com o detetive Hoffman (Costas Mandylor) escapando da armadilha da viúva de Jigsaw, Jill (Betsy Russell).
Enquanto Hoffman parte em busca de vingança, a viúva pede ajuda para a polícia, em troca de revelar todos os segredos sobre o verdadeiro responsável pelas matanças. Ao mesmo tempo, um novo jogo começa, envolvendo Bobby (Sean Patrick Flanery), um homem que ganhou fama e fortuna contando sua história de como conseguiu sobreviver às armadilhas sádicas de Jigsaw.
A premissa antes divulgada de que o filme marcaria o retorno de outros sobreviventes, na verdade é deixada de lado. Até o esperado retorno do Dr. Gordon (Cary Elwes), que decepou o próprio pé para sobreviver no primeiro filme, passaria quase despercebido, se ele não participasse de algumas das poucas cenas boas que não envolvem as armadilhas.
Kevin Greutert, que dirigiu o sexto filme, está de volta para fazer um trabalho ainda pior, com a ajuda de um pretensioso roteiro de Patrick Melton e Marcus Dunstan, responsáveis pelos últimos três filmes e pela decadência de “Jogos Mortais”. As surpresas do roteiro são óbvias até para quem nunca assistiu um filme da franquia.
Assim como nos filmes anteriores, os minutos finais tem um ritmo mais acelerado, com inúmeras reviravoltas na história, que desta vez abandonam completamente a lógica. Mas boa parte do público desse tipo de filme, principalmente os adolescentes, não está nem aí para a história e seus furos gritantes. Só se interessa mesmo pelos gritos das vítimas, mutiladas, esmagadas, enforcadas e etc. Para estes, o novo filme capricha na quantidade de armadilhas, que estão ainda mais violentas.
Duas armadilhas em especial chamam atenção. Logo de cara, a primeira do filme traz três jovens envolvidos num triângulo amoroso, que chega a um final chocante. Outra que merece destaque é relacionada a um grupo de racistas, que paga pelo seu preconceito. Esta sequência tem a participação especial de Chester Bennington, vocalista da banda Linkin Park.
A violência não parece mais ou menos gratuita por causa do 3D. A tecnologia tridimensional foi mal utilizada e são raros os momentos em que os efeitos realmente fazem diferença. Mesmo assim, o público pode querer desviar o rosto para se proteger do sangue e pedaços de corpos jogados na tela.
Com o sucesso nas bilheterias americanas e o gancho no final, tudo leva a crer que o jogo está longe de acabar.




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